segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Marriott pretende atrair R$ 2 bi para abrir 50 hotéis em 10 anos

08/10/2010 - Valor Econômico - Alberto Komatsu

Foco é padrão econômico, mas rede americana pode lançar marcas de luxo como Bulgari

Uma das três maiores redes de hotéis do mundo, a americana Marriott, planeja alavancar com investidores nacionais e estrangeiros R$ 2 bilhões para aplicar no Brasil, nos próximos 10 anos. Os recursos estão programados para a inauguração de ao menos 50 hotéis nesse mesmo intervalo de tempo.

A Marriott tem apenas quatro hotéis no Brasil, onde está há 13 anos. São três empreendimentos em São Paulo e um no Rio. O seu plano estratégico, portanto, mostra que a rede americana quer acelerar sua expansão por aqui. Para isso, poderá trazer seis novas bandeiras, de sua carteira total de 18 marcas. Como a maioria das grandes redes hoteleiras, a companhia se concentra na gestão dos empreendimentos, construídos por fundos de investimento e incorporadoras, entre outros parceiros.

"A Marriott é uma empresa discreta. Queremos crescer no momento e na hora certa, sem fazer muito alarde", afirma o vice-presidente de desenvolvimento da rede americana para o Brasil, Guilherme Cesari.

O executivo foi contratado há seis meses para elaborar e executar o plano de expansão da Marriott no Brasil. Isso mostra, segundo ele, que a rede trouxe para o país uma estratégia em curso na China e na Índia. São países onde o grupo quer crescer de forma acelerada, uma alternativa diante da desaceleração do mercado americano.

Um detalhe curioso do planejamento estratégico da Marriott no Brasil aconteceu há três meses. Foi quando Cesari e dois executivos da Marriott, vindos dos Estados Unidos, se hospedaram em hotéis econômicos da concorrência em São Paulo, no Rio e em Salvador. O objetivo era o de conhecer como redes rivais tratam hóspedes que preferem diárias mais em conta.

"Foi uma pesquisa específica para o desenvolvimento da bandeira Fairfield Inn no Brasil", diz Cesari. De acordo com o executivo, será essa marca de hotéis econômicos, a Fairfield Inn, que vai concentrar os esforços da Marriott no país. O executivo enxerga potencial para a Fairfield Inn em 25 estados.

Outra bandeira administrada pela Marriott que poderá ser lançada por aqui é a Bulgari Hotels, voltada para o segmento de luxo. A tradicional e luxuosa marca de relógios só tem dois hotéis em todo mundo, um em Bali, na Indonésia, e outro em Milão, na Itália.

A Marriott também poderá lançar no Brasil outra bandeira exclusiva, a Edition. Essa é uma parceria da rede americana com a empresa de desenvolvimento e gestão de hotéis de Ian Schrager. Ainda não há nenhum hotel com essa marca no mundo, mas sete estão em desenvolvimento, afirma Cesari.

Ian Schrager ganhou notoriedade mundial como um dos fundadores do Studio 54, famoso clube noturno de Nova York nos anos 70. O local era frequentado por celebridades como Andy Warhol, Mick Jagger e Brooke Shields.

A rede americana também considera implementar no Brasil uma nova bandeira, a Autograph Collection. Cesari diz que a estratégia dessa marca é se associar a um hotel independente, que manteria seu nome original, mas incluiria a assinatura Autograph Collection. A vantagem para o hotel com esse tipo de acordo, conta o executivo, é contar com um sistema global de reservas.

Há ainda a possibilidade de a Marriott estrear a bandeira de luxo Ritz-Carlton no Brasil. Cesari diz que as cidades mais prováveis para esse tipo de empreendimento seriam São Paulo e Rio de Janeiro. A rede também considera por aqui o desenvolvimento da marca de quatro estrelas Courtyard.

A expansão no Brasil inclui a possibilidade de usar bandeiras já conhecidas, como a JW Marriott, a Renaissance e a Marriott.

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