sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Cidade do Paraná não cobrará mais pelo transporte público

29/10/2015 - Paraná Online

Em Tijucas do Sul, a menos de 60 km de Curitiba, prefeitura decide pela gratuidade do transporte a partir de dezembro

Ônibus que serve a cidade de Tijucas do Sul (PR)
Ônibus que serve a cidade de Tijucas do Sul (PR)
créditos: John Berata

A Prefeitura de Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, anunciou nesta semana que o seu transporte público será gratuito a partir de dezembro.

A administração da cidade destacou que não vale a pena pagar uma empresa terceirizada para manter o transporte no município. Com isso, a decisão beneficia a população.

Com 16 mil habitantes, Tijucas do Sul cobra atualmente tarifas entre R$ 3,50 e R$ 5 para a utilização do transporte público da cidade. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Recarga poderá ser feita através do celular em Cuiabá e Várzea Grande

19/06/2015 - A Gazeta - MT

Os usuários do transporte público de Cuiabá e Várzea Grande poderão recarregar seu cartão transporte através de um aplicativo de celular. O lançamento do sistema será nesta segunda-feira (22).

A Associação Mato-grossense dos Transportes Urbanos (MTU) e a MFS (joint-venture da MasterCard Worldwide com a Telefonica International) firmaram parceria e lançarão na região metropolitana o Vivo Zuum, que vai garantir maior facilidade na recarga do Cartão TEM Transporte. Conforme a MTU "O mecanismo irá proporcionar maior flexibilidade nas formas de recarga do cartão, uma vez que o comando de recarga para os portadores do Cartão Zuum poderá ser feito via celular".

Cuiabá e Várzea Grande são as primeiras cidades brasileiras a adotarem essa parceria com a Zuum para recarga de Cartão Transporte pelo celular. A demonstração do novo sistema de recarga do Cartão Transporte será feita no dia do lançamento.

Sobre a Zuum

Criada em junho de 2012, a Zuum é uma joint-venture entre MasterCardWorldwide e Telefonica International. A empresa desenvolve soluções para pagamento móvel através de uma conta corrente no celular, que possibilita a realização de pagamentos de contas e transferências de dinheiro por meio de um smartphone e o uso de um cartão pré-pago com bandeira MasterCard para compras e saques. Presente fisicamente em São Paulo, Sergipe, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e agora em Mato Grosso. (Com assessoria de imprensa da MTU)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Curitiba cria aluguel de bikes elétricas

15/04/2015 - The City Fix Brasil

By Luísa Zottis 


(Foto: Divulgação)

Um sistema de aluguel de bicicletas elétricas entrou em testes em Curitiba. Por seis meses, todos os dias, residentes e turistas podem experimentar o novo serviço. A estação fica localizada no Parque Birigui e funciona das 10h às 19h. Se der certo, o projeto poderá ser ampliado para diferentes pontos e parques da cidade com uma licitação.

A novidade custa R$15 para meia hora, que é o tempo médio para duas voltas completas no parque, ou R$ 30 por uma hora (R$ 0,50 por minuto adicional). Quem quiser ficar o dia todo com a magrela, precisa desembolsar R$ 99. Para efetuar o primeiro aluguel, é preciso estar munido de documento com foto, cartão de crédito e ter no mínimo 18 anos.

O serviço é operado numa parceria da Prefeitura de Curitiba com a E-leeze Rental, especializada em bicicletas elétricas, sem custos para a cidade. O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, afirmou que a aceitação por curitibanos e turistas vai definir se há mercado para ampliação do serviço na capital paranaense. Ele lembrou que as bicicletas não servem somente para lazer, mas também são um meio de transporte ao trabalho ou estudo.

Na locação da bicicleta acompanha um capacete e o serviço oferece também opção de locação de cestinha para pequenos animais, cadeirinha para criança e um bike engate – bicicleta menor para ser engatada na elétrica.

Você é de Curitiba? Já experimentou o serviço ou vai experimentar? Conte pra gente!


Prefeito Gustavo Fruet testa o novo serviço. (Foto: Everson Bressan/SMCS)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Ferrovia barateia escoamento de biodiesel de MT

19/03/2015 - Valor Econômico

Segundo maior produtor de biodiesel do país, Mato Grosso agora tem estrutura para escoar sua oferta atual por ferrovia até a refinaria de Paulínia, em São Paulo. A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, inaugurou ontem um terminal ferroviário de combustíveis no município de Rondonópolis que, em larga medida, terá justamente essa finalidade. O projeto gerou expectativa no Estado pela redução de custos que promete garantir na comparação com a utilização de rodovias.

O transporte do biodiesel puro (B-100) de Rondonópolis a Paulínia será realizado nos mesmos vagões que agora poderão levar gasolina e diesel da cidade paulista até o polo agrícola mato-grossense. Por caminhão, são cerca de 2 mil quilômetros. Nas contas da Raízen, essa otimização do transporte, com a ocupação dos vagões ferroviários na ida e na volta, possibilitará um ganho de eficiência de 27% na distribuição de combustíveis na região, segundo Leonardo Pontes, diretor-executivo de logística da empresa. E boa parte desse ganho virá da redução dos fretes.

A Raízen, cujo faturamento anual supera R$ 50 bilhões, começou a transportar biocombustíveis por trilhos em 2013, com o transporte de biodiesel de Esteio (RS) até Araucária (PR). Na base de distribuição ferroviária da empresa em Alto Taquari (MT), o uso do modal para o escoamento de biocombustíveis entrou em escala comercial em 2014, puxado pelo etanol produzido no sul de Goiás - tanto na usina própria da companhia, localizada em Jataí, como em outras unidades da região.

Com o terminal de Rondonópolis, todo o biodiesel de Mato Grosso que até agora chegava a Paulínia em caminhões deverá seguir em vagões. Com isso, a empresa espera ampliar significativamente o volume total de biocombustíveis que movimenta por ferrovias no ciclo 2015/16, que terá início em abril.

A área de distribuição de combustíveis da Raízen projeta que deverá movimentar no mercado interno 3,8 bilhões de litros de etanol e outros 700 milhões de litros de biodiesel nesta temporada 2014/15, que terminará no dia 31 deste mês. Do total de 4,5 bilhões de litros, 20% serão escoados por trilhos, disse Pontes. "Com Rondonópolis, esse percentual vai dobrar", previu.

A maior parte do biodiesel de Mato Grosso é produzido em um raio de cinco a dez quilômetros do novo terminal da Raízen em Rondonópolis, construído às margens da malha da América Latina Logística (ALL) - agora também controlada pela Cosan por meio da subsidiária Rumo Logística.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2014 o Brasil produziu 3,4 bilhões de litros de biodiesel e Mato Grosso representou 18% desse volume (611 milhões de litros). Aproximadamente 400 milhões de litros vieram de unidades de processamento localizadas em Rondonópolis, incluindo as das multinacionais americanas ADM (161 milhões de litros) e Bunge (115 milhões de litros) e a da asiática Noble (116 milhões).

É difícil saber como o ganho de eficiência calculado pela Raízen em 27% vai se distribuir ao longo da cadeia produtiva. Mas, conforme o diretor de logística da empresa, o novo terminal tende a mudar o patamar de competitividade de Mato Grosso em biodiesel em relação a seu maior "concorrente", o Rio Grande do Sul.

Do total de 700 milhões de litros que a Raízen movimentará em biodiesel no ciclo 2014/15 em todo o Brasil, em torno de 50% virão de Mato Grosso e 40% de fábricas gaúchas. "A projeção é que o biodiesel mato-grossense amplie sua participação em 10 pontos percentuais nos próximos cinco anos, pois é aqui que está a maior produção de soja do país e os maiores potenciais de crescimento na fabricação de biodiesel", afirmou Pontes.

Em 2015/16, segundo ele, a Raízen deverá movimentar 830 milhões de litros de biodiesel no Brasil, em virtude do aumento do percentual de biodiesel no diesel - de 5% para 7%, em vigor desde o último trimestre do ano passado - e também desse crescimento de "market share".

Desde sua implementação no país, há quase dez anos, o mercado de biodiesel é regulado pelos leilões da ANP, que define os volumes a serem adquiridos a cada bimestre e estabelece os limites para os preços de comercialização. Mas Leonardo Gadotti Filho, vice-presidente de Logística, Distribuição e Trading da Raízen, não tem dúvidas de que esse mercado vai mudar um dia no Brasil.

"E, quando isso acontecer, o diferencial será a logística", afirmou Gadotti. Atualmente, o biodiesel B-100 pode ser adquirido apenas por uma distribuidora de combustível, que o mistura, na proporção permitida, no diesel que é distribuído no país. "Quando o mercado se abrir, poderemos movimentar volumes bem maiores do produto, uma vez que atuaremos também como trading de biodiesel", disse o executivo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Maricá, a cidade do passe livre

04/02/2015 - Carta Capital

O município de Maricá, no Rio de Janeiro, enfrenta empresários de transportes e implanta ônibus com tarifa zero

por Renan Truffi


O ônibus grátis de Maricá
O ônibus grátis de Maricá
Prefeitura de Maricá espalhou placas para avisar sobre o trajeto do ônibus gratuito

De Maricá (RJ)

A catraca, símbolo maior da cobrança de tarifa no transporte público brasileiro, continua lá para registrar o número de passageiros. Mas a cadeira do cobrador agora está vazia. Ninguém precisa pagar mais. É assim desde 18 de dezembro do ano passado em Maricá, município fluminense na Região dos Lagos. Há pouco mais de um mês, a prefeitura local fundou a Empresa Pública de Transportes (EPT) e instituiu o passe livre para todos. O objetivo, o prefeito Washington Quaquá (PT-RJ) admite, é "quebrar o monopólio" das empresas que detêm o serviço há pelo menos 25 anos na cidade.

Primeiro município brasileiro com mais de 100 mil habitantes a oferecer ônibus gratuito, Maricá é palco de uma verdadeira queda de braço entre o poder público e os empresários de transporte. Isso porque a implantação da tarifa zero se deu ao mesmo tempo em que as duas empresas privadas de transportes da cidade continuam tendo concessão para operar com cobrança de passagem. Por isso, desde o fim do ano passado, os usuários têm à disposição tanto os ônibus que cobram tarifa, com valor mínimo de 2,70 reais, quanto os gratuitos, da Prefeitura de Maricá, sendo que ambos fazem trajetos semelhantes.

"Nós estamos quebrando um monopólio de uma família sobre um setor econômico da cidade", afirma o prefeito ao citar a maior empresa da região, a Viação Nossa Senhora do Amparo, que há mais de 40 anos controla tanto o transporte municipal quanto o intermunicipal. A outra empresa é a Costa Leste que, apesar de menor, já possui concessão há 25 anos. Quaquá não esconde que a sua briga é mesmo com a Viação Amparo. "Eles eram os donos da cidade. Quando eu saí de uma favela de Niterói com nove anos de idade e vim morar aqui, eles eram os coronéis. Mandavam, desmandavam, matavam, só não faziam viver", acusa o petista. "Eles financiaram meus adversários. Então, a primeira vez que um prefeito rompeu com o monopólio deles foi quando ganhei a eleição. (...) Já era para eles", diz sem hesitar.

No cargo desde 2008, Quaquá é um dos fundadores do PT na cidade e o atual presidente estadual do partido no Rio de Janeiro. Conhecido por ser de uma corrente mais à esquerda, Quaquá fez parte da sua campanha eleitoral focando na disputa com os empresários do transporte. "Maricá é bonita demais para ser controlada por uma empresa de ônibus", dizia o slogan político. "Essa Constituição estabelece que transporte é serviço público que pode, pode [repete] ser concedido.  A lógica de Maricá é a seguinte: o serviço será público e gratuito", garante.

Após conquistar a reeleição, Quaquá colocou a proposta em prática. Impossibilitado de romper os contratos de concessão com as duas empresas de transporte da cidade, já que ambos foram renovados em 2005, com duração até 2020, o prefeito começou os estudos para criar uma empresa com tarifa popular. O objetivo era iniciar a operação com passagem em torno de dois reais para, progressivamente, reduzir até a tarifa zero. Mas a ideia esbarrou em entraves jurídicos. A solução foi fundar uma autarquia municipal e implantar a tarifa zero desde o início.

De onde vem o dinheiro?

Depois da criação da autarquia, a prefeitura investiu aproximadamente 5 milhões de reais, comprou dez ônibus e contratou 29 motoristas por meio de concurso público, em caráter temporário, por 12 meses. No total, a EPT já tem 90 funcionários, que trabalham exclusivamente para o funcionamento das quatro linhas de ônibus. Os veículos atendem do bairro Recanto à Ponta Negra, nas extremidades do município, 24 horas por dia e nos finais de semana. Todos os veículos comprados pela cidade têm ar condicionado e elevador para deficientes físicos nas portas.

"Nós vamos comprar mais 20 ônibus, provavelmente ônibus elétricos, sem emissão de carbono, que funcione a energia solar", explica Quaquá. Os recursos para manter todo esse sistema são provenientes da verba que o município tem direito em função dos royalties do petróleo. No ano passado, por exemplo, Maricá recebeu repasses que totalizaram 220 milhões de reais, segundo o Portal da Transparência da cidade. 

Em um mês de funcionamento, com os dez ônibus, a operação custou aproximadamente 700 mil reais, mas a ideia é que o gasto suba para 1,5 milhão de reais por mês, quando a empresa tiver capacidade de concorrer com as empresas privadas. Isso porque o objetivo é que Maricá tenha autonomia para garantir o transporte dos moradores independentemente de concessão.

O plano de Quaquá provocou uma reação imediata dos empresários. Menos de dez dias depois de os ônibus começarem a circular pelas ruas de Maricá, as empresas deram entrada em uma liminar na 5ª Vara Civil da Comarca de São Gonçalo para impedir o funcionamento da Empresa Pública de Transportes (EPT). O pedido não foi aceito pela Justiça.

Os empresários reclamam pois a prefeitura não paga o subsídio previsto em contrato desde que Quaquá assumiu o cargo, há sete anos. Pelo documento, as empresas Costa Leste e Viação Amparo devem receber da Prefeitura de Maricá o valor da passagem de cada usuário com direito à gratuidade (estimado em 120 mil pela Costa Leste), como idosos e estudantes de escola pública. "Não pago nada", diz o petista. "Esses dias eu vi que eles estão cobrando na Justiça 13 milhões de reais. Você imagina: com esse dinheiro eu garanto dois anos de empresa gratuita para todos. Eles estão acostumados com poder público que não controla, não fiscaliza. Agora nós temos a planilha e estamos abrindo a planilha", enfatiza.

Ônibus gratuito
Ônibus gratuito
Em guerra declarada, Maricá usa ônibus gratuito (vermelho) contra empresas de ônibus, que cobram 2,70 reais de tarifa (Foto: Adriano Marçal)

Além da guerra judicial, o prefeito ainda aprovou no ano passado uma lei que mudava o nome da rodoviária da cidade. Até então, o local era conhecido como Terminal Rodoviário Jacintho Luiz Caetano, em referência justamente ao nome do fundador da Viação Amparo. Quaquá renomeou o local para "Terminal Rodoviário do Povo de Maricá". O busto de Caetano que ficava na entrada do terminal ainda foi removido e devolvido para a família. 

A opinião da população

CartaCapital acompanhou por dois dias o funcionamento e a circulação dos ônibus gratuitos da cidade. Apesar de ter anunciado ônibus de 20 em 20 minutos, os dez veículos da Prefeitura de Maricá que estão em circulação ainda não conseguem cumprir a mesma pontualidade das empresas privadas, todos os dias. Quando alguns motoristas estão de folga, o tempo de espera pode levar de 40 minutos a uma hora.

"Gratuito é bom para o povo, né. Acho que tinha que ter mais [ônibus]. Por um lado é gratuito, mas, por outro, a gente tem que ficar esperando meia hora, 40 minutos", alerta o segurança Diego Silva, de 27 anos.

A explicação, segundo o presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos, é o tamanho da cidade. Apesar de ter aproximadamente 127 mil habitantes, Maricá tem uma extensão de 363 quilômetros quadrados. O município é maior, por exemplo, do que cidades como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com uma população de mais de 1,2 milhão de pessoas. E o dobro do tamanho da vizinha Niterói (RJ), que tem quase 500 mil habitantes. Por conta disso, os ônibus gastam aproximadamente 1h30 para fazer todo o percurso e voltar para a rodoviária da cidade. Segundo Santos, a tendência é que a circulação se normalize com a chegada dos novos ônibus.

Mas, mesmo com a demora em alguns dias da semana, os usuários fazem fila para esperar o "Vermelhinho", como já ficou conhecido o ônibus gratuito em função de sua cor (os ônibus da Costa Leste e da Viação Amparo são pintados em tons de azul). Na última terça-feira 27, por exemplo, a reportagem contou 27 pessoas à espera de uma linha sentido Ponta Negra, a área turística da cidade, e outras 21 pessoas na fila para embarcar para o bairro de Itaipuaçu, por volta das 15h, na rodoviária. No mesmo horário, o ônibus da Costa Leste que faz trajeto parecido e cobra 2,70 reais aguardava vazio o embarque de passageiros. A Costa Leste admitiu que a medida vem tendo "grande impacto" no número de usuários do sistema, mas não deu mais informações. A Viação Amparo não retornou os pedidos de entrevista da reportagem.

Fila do ônibus gratuito
Fila do ônibus gratuito
Enquanto usuários fazem fila para usar o ônibus gratuito (vermelho), veículo da empresa Costa Leste (azul) aguarda por passageiros na rodoviária (Foto: Renan Truffi)

"Para a gente foi muito útil, as passagens aqui em Maricá são muito caras. Para um trecho curtinho, você já paga três reais para ir e três reais para voltar. Por exemplo, um casal e duas crianças, você já vai pagar um preço absurdo. Tem família aqui que não conseguia ir à praia porque não tinha condições de pagar um ônibus. Com esse dinheiro já dá para comprar um pão, ou um leite para as crianças", conta a dona de casa Marilza Marques, de 63 anos, durante uma das viagens.

Desde que começou a operar, em pouco mais de um mês, os ônibus gratuitos já transportaram mais de 200 mil passageiros. A Prefeitura de Maricá estima que já esteja atendendo 70% da população. A gratuidade fez até com que moradores de cidades vizinhas pudessem começar a frequentar as praias de Maricá. "Onde a gente mora é supertranquilo. Agora começou a vir um povo de São Gonçalo para as praias. Eles não consomem nada. O pessoal do quiosque reclama também", critica uma professora que não quis se identificar, enquanto espera o ônibus gratuito.

A Prefeitura espera ainda que o dinheiro, antes aplicado na passagem, comece a ser injetado no comércio da região. Como o ônibus funciona também de madrugada, as lojas próximas à rodoviária passaram a estender o horário de atendimento. "É um retorno que a prefeitura vem dando para o povo. O povo não ganha nunca nada. Agora tem ar condicionado, serviço de qualidade", conta o empresário Luiz Carlos Souza. "Eu estou economizando esse dinheiro para fazer um sacolão".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Dois Córregos-SP tem circular com tarifa zero a partir de 2ª-feira

04/02/2015 - Jornal Independente - Dois Córregos

O transporte coletivo em Dois Córregos passará ser executado com tarifa zero, para a população de Dois Córregos, inclusive a do bairro de Guarapuã, à partir da próxima segunda-feira,

Projeto de Lei do Poder Executivo aprovado pela Câmara Municipal, em novembro do ano passado, permitiu ajuste entre a prefeitura e a empresa que explora o serviço mediante concessão, para que não seja mais cobrada tarifa dos usuários.

O transporte coletivo em Dois Córregos é executado pela empresa Halley Transportes e Locação Ltda., que obteve esse direito mediante concorrência pública.

Maricá, a cidade do passe livre

04/02/2015 - Carta Capital

A catraca, símbolo maior da cobrança de tarifa no transporte público brasileiro, continua lá para registrar o número de passageiros. Mas a cadeira do cobrador agora está vazia. Ninguém precisa pagar mais. É assim desde 18 de dezembro do ano passado em Maricá, município fluminense na Região dos Lagos. Há pouco mais de um mês, a prefeitura local fundou a Empresa Pública de Transportes (EPT) e instituiu o passe livre para todos. O objetivo, o prefeito Washington Quaquá (PT-RJ) admite, é "quebrar o monopólio" das empresas que detêm o serviço há pelo menos 25 anos na cidade.

Primeiro município brasileiro com mais de 100 mil habitantes a oferecer ônibus gratuito, Maricá é palco de uma verdadeira queda de braço entre o poder público e os empresários de transporte. Isso porque a implantação da tarifa zero se deu ao mesmo tempo em que as duas empresas privadas de transportes da cidade continuam tendo concessão para operar com cobrança de passagem. Por isso, desde o fim do ano passado, os usuários têm à disposição tanto os ônibus que cobram tarifa, com valor mínimo de 2,70 reais, quanto os gratuitos, da Prefeitura de Maricá, sendo que ambos fazem trajetos semelhantes.

"Nós estamos quebrando um monopólio de uma família sobre um setor econômico da cidade", afirma o prefeito ao citar a maior empresa da região, a Viação Nossa Senhora do Amparo, que há mais de 40 anos controla tanto o transporte municipal como o intermunicipal. A outra empresa é a Costa Leste que, apesar de menor, já possui concessão há 25 anos. Quaquá não esconde que a sua briga é mesmo com a Viação Amparo. "Eles eram os donos da cidade. Quando eu saí de uma favela de Niterói com nove anos de idade e vim morar aqui, eles eram os coronéis. Mandavam, desmandavam, matavam, só não faziam viver", acusa o petista. "Eles financiaram meus adversários. Então, a primeira vez que um prefeito rompeu com o monopólio deles foi quando ganhei a eleição. (...) Já era para eles", diz sem hesitar.

No cargo desde 2008, Quaquá é um dos fundadores do PT na cidade e o atual presidente estadual do partido no Rio de Janeiro. Conhecido por ser de uma corrente mais à esquerda, Quaquá fez parte da sua campanha eleitoral focando na disputa com os empresários do transporte. "Maricá é bonita demais para ser controlada por uma empresa de ônibus", dizia o slogan político. "Essa Constituição estabelece que transporte é serviço público que pode, pode [repete] ser concedido.  A lógica de Maricá é a seguinte: o serviço será público e gratuito", garante.

Após conquistar a reeleição, Quaquá colocou a proposta em prática. Impossibilitado de romper os contratos de concessão com as duas empresas de transporte da cidade, já que ambos foram renovados em 2005, com duração até 2020, o prefeito começou os estudos para criar uma empresa com tarifa popular. O objetivo era iniciar a operação com passagem em torno dedois reais para, progressivamente, reduzir até a tarifa zero. Mas a ideia esbarrou em entraves jurídicos. A solução foi fundar uma autarquia municipal e implantar a tarifa zero desde o início.

De onde vem o dinheiro?

Depois da criação da autarquia, a prefeitura investiu aproximadamente 5 milhões de reais, comprou dez ônibus e contratou 29 motoristas por meio de concurso público, em caráter temporário, por 12 meses. No total, a EPT já tem 90 funcionários, que trabalham exclusivamente para o funcionamento das quatro linhas de ônibus. Os veículos atendem do bairro Recanto à Ponta Negra, nas extremidades do município, 24 horas por dia e nos finais de semana. Todos os veículos comprados pela cidade têm ar condicionado e elevador para deficientes físicos nas portas.

"Nós vamos comprar mais 20 ônibus, provavelmente ônibus elétricos, sem emissão de carbono, que funcione a energia solar", explica Quaquá. Os recursos para manter todo esse sistema são provenientes da verba que o município tem direito em função dos royalties do petróleo. No ano passado, por exemplo, Maricá recebeu repasses que totalizaram 220 milhões de reais, segundo o Portal da Transparência da cidade.

Em um mês de funcionamento, com os dez ônibus, a operação custou aproximadamente 700 mil reais, mas a ideia é que o gasto suba para 1,5 milhão de reais por mês, quando a empresa tiver capacidade de concorrer com as empresas privadas. Isso porque o objetivo é que Maricá tenha autonomia para garantir o transporte dos moradores independentemente de concessão.

O plano de Quaquá provocou uma reação imediata dos empresários. Menos de dez dias depois de os ônibus começarem a circular pelas ruas de Maricá, as empresas deram entrada em uma liminar na 5ª Vara Civil da Comarca de São Gonçalo para impedir o funcionamento da Empresa Pública de Transportes (EPT). O pedido não foi aceito pela Justiça.

Os empresários reclamam pois a prefeitura não paga o subsídio previsto em contrato desde que Quaquá assumiu o cargo, há sete anos. Pelo documento, as empresas Costa Leste e Viação Amparou devem receber da Prefeitura de Maricá o valor da passagem de cada usuário com direito à gratuidade (estimado em 120 mil pela Costa Leste), como idosos e estudantes de escola pública. "Não pago nada", diz o petista. "Esses dias eu vi que eles estão cobrando na Justiça 13 milhões de reais. Você imagina: com esse dinheiro eu garanto dois anos de empresa gratuita para todos. Eles estão acostumados com poder público que não controla, não fiscaliza. Agora nós temos a planilha e estamos abrindo a planilha", enfatiza.

Além da guerra judicial, o prefeito ainda aprovou no ano passado uma lei que mudava o nome da rodoviária da cidade. Até então, o local era conhecido como Terminal Rodoviário Jacintho Luiz Caetano, em referência justamente ao nome do fundador da Viação Amparo. Quaquá renomeou o local para "Terminal Rodoviário do Povo de Maricá". O busto de Caetano que ficava na entrada do terminal ainda foi removido e devolvido para a família.

A opinião da população

CartaCapital acompanhou por dois dias o funcionamento e a circulação dos ônibus gratuitos da cidade. Apesar de ter anunciado ônibus de 20 em 20 minutos, os dez veículos da Prefeitura de Maricá que estão em circulação ainda não conseguem cumprir a mesma pontualidade das empresas privadas, todos os dias. Quando alguns motoristas estão de folga, o tempo de espera pode levar de 40 minutos a uma hora.

"Gratuito é bom para o povo, né. Acho que tinha que ter mais [ônibus]. Por um lado é gratuito, mas, por outro, a gente tem que ficar esperando meia hora, 40 minutos", alerta o segurança Diego Silva, de 27 anos.

A explicação, segundo o presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos, é o tamanho da cidade. Apesar de ter aproximadamente 127 mil habitantes, Maricá tem uma extensão de 363 quilômetros quadrados. O município é maior, por exemplo, do que cidades como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com uma população de mais de 1,2 milhão de pessoas. E o dobro do tamanho da vizinha Niterói (RJ), que tem quase 500 mil habitantes. Por conta disso, os ônibus gastam aproximadamente 1h30 para fazer todo o percurso e voltar para a rodoviária da cidade. Segundo Santos, a tendência é que a circulação se normalize com a chegada dos novos ônibus.

Mas, mesmo com a demora em alguns dias da semana, os usuários fazem fila para esperar o "Vermelhinho", como já ficou conhecido o ônibus gratuito em função de sua cor (os ônibus da Costa Leste e da Viação Amparo são pintados em tons de azul). Na última terça-feira 27, por exemplo, a reportagem contou 27 pessoas à espera de uma linha sentido Ponta Negra, a área turística da cidade, e outras 21 pessoas na fila para embarcar para o bairro de Itaipuaçu, por volta das 15h, na rodoviária. No mesmo horário, o ônibus da Costa Leste que faz trajeto parecido e cobra 2,70 reais aguardava vazio o embarque de passageiros. A Costa Leste admitiu que a medida vem tendo "grande impacto" no número de usuários do sistema, mas não deu mais informações. A Viação Amparo não retornou os pedidos de entrevista da reportagem.

"Para a gente foi muito útil, as passagens aqui em Maricá são muito caras. Para um trecho curtinho, você já paga três reais para ir e três reais para voltar. Por exemplo, um casal e duas crianças, você já vai pagar um preço absurdo. Tem família aqui que não conseguia ir à praia porque não tinha condições de pagar um ônibus. Com esse dinheiro já dá para comprar um pão, ou um leite para as crianças", conta a dona de casa Marilza Marques, de 63 anos, durante uma das viagens.

Desde que começou a operar, em pouco mais de um mês, os ônibus gratuitos já transportaram mais de 200 mil passageiros. A Prefeitura de Maricá estima que já esteja atendendo 70% da população. A gratuidade fez até com que moradores de cidades vizinhas pudessem começar a frequentar as praias de Maricá. "Onde a gente mora é supertranquilo. Agora começou a vir um povo de São Gonçalo para as praias. Eles não consomem nada. O pessoal do quiosque reclama também", critica uma professora que não quis se identificar, enquanto espera o ônibus gratuito.

A Prefeitura espera ainda que o dinheiro, antes aplicado na passagem, comece a ser injetado no comércio da região. Como o ônibus funciona também de madrugada, as lojas próximas à rodoviária passaram a estender o horário de atendimento. "É um retorno que a prefeitura vem dando para o povo. O povo não ganha nunca nada. Agora tem ar condicionado, serviço de qualidade", conta o empresário Luiz Carlos Souza. "Eu estou economizando esse dinheiro para fazer um sacolão".

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Prefeitura de Maricá pretende ampliar coletivos com tarifa zero

21/01/2015 - O Fluminense

Segundo a prefeitura, foram 688 viagens  e mais de 86 mil km percorridos pelo programa tarifa zero. Foto: Divulgação / Fernando Silva
Após um mês de instalação do programa na cidade o prefeito Washington Quaquá fez um balanço positivo do funcionamento da autarquia responsável pelos ônibus

O Prefeito de Maricá, Washington Quaquá, apresentou nesta terça-feira, no auditório do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), na Mumbuca, um balanço do primeiro mês de funcionamento da Empresa Pública de Transportes (EPT), autarquia municipal cuja frota de dez ônibus gratuitos vem rodando desde o dia 18 de dezembro, 24h por dia, sete dias por semana, com tarifa zero. As duas linhas percorrem toda extensão da cidade – de Ponta Negra ao Recanto de Itaipuaçu. O resultado comprova, segundo Quaquá, não só a aceitação do serviço, como o entendimento pela população de que a tarifa zero tornou-se uma ferramenta de resgate da cidadania através da mobilidade.

"Em 28 dias de operação nós transportamos 201.571 passageiros", comemorou o prefeito.

De acordo com a prefeitura, foram 688 viagens  e mais de 86 mil km percorridos, em um modelo pioneiro para cidades com mais de 100 mil habitantes.

"Maricá é o município brasileiro com o maior número de habitantes a adotar a tarifa zero. Assim como educação e saúde gratuitas, transporte público é um direito do cidadão, respaldado na Constituição Federal", avaliou o prefeito.

"As empresas privadas se apropriaram desse serviço, público em essência, e, em Maricá, monopolizaram e controlaram o setor por mais de 40 anos, prejudicando o direito de ir e vir das pessoas", declarou Quaquá, lembrando que o custo de instalação da EPT é atraente também por conta da economia gerada aos cofres públicos. Mensalmente, em torno de R$ 400 mil em vales-transportes deixarão de ser pagos pela Prefeitura às empresas de ônibus, agora que os funcionários dispõem de transporte gratuito para ir e voltar do trabalho. O valor economizado corresponde a pouco mais de 50% do custo total de operação.

Outros benefícios são indiretos, mas igualmente significativos e de longo prazo. "A adoção da tarifa zero propiciou maior movimento ao comércio local. As lojas já começaram a fechar mais tarde porque agora existe ônibus rodando em qualquer hora do dia ou da noite, o que garante o retorno para casa", acrescentou o prefeito, anunciando a meta para 2016 de ampliação da oferta, com a circulação de 16 ônibus somente na principal linha (Recanto de Itaipuaçu - Ponta Negra), que atende a 70% da população.

A Prefeitura também planeja comprar 20 micro-ônibus elétricos, que não emitem CO2, para completar a frota como alimentadores dos troncos principais, além de integrar o transporte alternativo com vans ao sistema. "Com isso, atenderemos a todos os bairros e garantiremos ainda mais a mobilidade da população", completou, garantindo que não haverá recuo. "É como Saúde e Educação, trata-se de um direito básico de todos", concluiu.

Também presente no evento, a deputada estadual Rosângela Zeidan destacou o papel integrador do transporte gratuito, que permite ao morador do próprio município conhecer outros pontos da cidade onde reside.

"Mais do que transportando pessoas, o transporte gratuito está transformando a vida do maricaense e provando que é possível oferecer qualidade", afirmou, garantindo que levará para a Assembleia Legislativa a experiência de Maricá como ponto de partida de uma rediscussão da questão das concessões no serviço de transporte público em todo o estado.

"Farei isso de forma que possam ser implantadas novas empresas públicas como a EPT em outras cidades do país", salientou. O Presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos, chamou a atenção para a quebra de um paradigma. "Estamos provando que transporte público é uma conquista do povo, e isso me faz acreditar que podemos ter uma sociedade mais justa, já que a mobilidade é inclusão social e redução das desigualdades entre pobres e ricos", concluiu.

Com a implantação da EPT, Maricá é a terceira cidade no estado (as outras são Porto Real e Silva Jardim) e a primeira com mais de 100 mil habitantes a oferecer a tarifa zero. As quatro primeiras linhas saem do Recanto para Ponta Negra e vice-versa (via Manoel Ribeiro e Cordeirinho) e funcionam 24 horas, inclusive nos finais de semana. As linhas municipais passam pelos terminais rodoviários do Centro e de Itaipuaçu e atendem também as principais escolas e unidades de saúde do município, inclusive nos bairros que até então não eram atendidos pelas empresas, como o Retiro.


O Fluminense